DA INTERNET
Sob o signo da Liberdade
Entenda por que os bilionários capitalistas financiam o surgimento da nova esquerda

Charge do Allan Sieber (Arquivo Google)
Mário Assis Causanilhas
Para entender o que pensa o presidente Jair Bolsonaro sobre globalismo, comunismo e capitalismo, é preciso saber o que pensa Olavo de Carvalho sobre os bilionários estão que financiando a nova esquerda no Brasil e no mundo. Justamente por isso, é conveniente saber o que pensa Flávio Gordon, um dos maiores difusores das ideias de Olavo de Carvalho.
Doutor em Antropologia Social, Gordon atua como tradutor e escritor, redigindo artigos sobre cultura, política e economia, publicados em diversas plataformas digitais, entre elas o Jornal Gazeta do Povo e o portal Senso Incomum.
NO METACAPITALISMO, BILIONARIOS FINANCIAM A ESQUERDA
Flávio Gordon / Gazeta do Povo
Ontem, num grupo de WhatsApp, conversava com alguns velhos amigos dos tempos de escola, quase todos empresários liberais, sobre o seguinte dilema: como é possível que um empresário bem-sucedido como Jorge Paulo Lemann – “forjado no mais puro capitalismo”, como resumiu um desses meus amigos – financie, por exemplo, uma revista de educação como a Nova Escola, talvez a publicação mais influente da área, cujo conteúdo é radicalmente de esquerda e anticapitalista, e para a qual o marxista Paulo Freire é “o maior educador brasileiro”?
Por qual motivo um sujeito que fez fortuna no capitalismo – e que, portanto, pode ser considerado um representante desse sistema – fomenta a divulgação de ideias socialistas dentro das escolas?
DOIS FATOS CONCRETOS – É claro que o dilema só pode existir se forem conhecidos os dois fatos concretos que o perfazem: que Lemann é um empresário capitalista de destaque e que, ao mesmo tempo, promove institucionalmente uma educação com forte viés marxista e neomarxista.
Meus amigos conheciam bem o primeiro deles. Daí que, sendo liberais, admirassem Lemann e vissem nele um emblema da economia de mercado. Mas ignoravam totalmente o segundo. Não tinham ideia de que a Fundação Lemann abrigasse a Nova Escola, e menos ainda da importância dessa revista (que, desde que fundada por outro empresário capitalista, Victor Civita, promove toda sorte de pautas “progressistas” nas salas de aula, do feminismo radical ao antiamericanismo terceiro-mundista) para os ideólogos esquerdistas da educação.
Eis por que não consigam sequer conceber, e tendam a ridicularizar como fantasioso, esse aparente paradoxo, o de um notório capitalista fomentando uma cultura política socialista.
DIREITA E ESQUERDA – É difícil entender por que os donos das maiores fortunas do mundo, e especialmente os que possuem grandes fundações em seu nome, empregam o seu vultoso capital no fomento de agendas de esquerda, frequentemente radicais
Mutatis mutandis, essa incapacidade de compreensão é estruturalmente similar ao daquela conhecida jornalista segundo a qual não há esquerda nos EUA, porque, afinal de contas, o país é “a meca do capitalismo”. Naturalmente, assim como eu, meus amigos riem de tal opinião, não percebendo que o seu espanto diante da mera possibilidade de um grande capitalista ajudar a difundir ideias de extrema-esquerda é apenas uma versão mais sutil daquela peça de humor involuntário.
Mas se, no caso da jornalista, a incompreensão talvez decorra de certa indigência intelectual, posso garantir que esses meus amigos são pessoas inteligentes. Não, o problema aqui não é de inteligência, mas de hábito.
VICIO DE RACIOCÍNIO – Reside num vício de raciocínio, adquirido em nosso ensino fundamental, que consiste em analisar a realidade política com base em definições meramente enciclopédicas, resultando em silogismos factualmente absurdos como este: se socialismo é sinônimo de esquerda, logo capitalismo só pode sê-lo de direita; e, portanto, um empresário capitalista jamais seria um aliado objetivo de radicais de esquerda.
Curiosamente, aquele vício de raciocínio é, ele próprio, contaminado com elementos de marxismo, a começar pela teoria da determinação material da consciência. Assim, as ideias de uma pessoa seriam determinadas por sua posição respectiva na sociedade de classes. Um empresário capitalista – ou burguês, na terminologia clássica – esposaria necessariamente ideias e valores capitalistas. Um proletário, por sua vez, defenderia necessariamente ideias e valores socialistas. Tudo isso consagra no imaginário nacional um clichê tão ridículo e desmentido pelos fatos quanto difícil de erradicar, mesmo em inteligências acima da média.
O VELHO CLICHÊ – A sugestão de que empregadores são (ou deveriam ser) sempre de direita; empregados, sempre de esquerda. Ou, em versão ainda mais burlesca, de que ricos são de direita; pobres, de esquerda. Os primeiros, para manter o status quo e garantir seus privilégios; os segundos, para revolucionar a estrutura social e melhorar sua condição de vida.
Ora, a realidade mostra precisamente o contrário. Basta observar que, hoje, os donos das maiores fortunas do mundo, e especialmente os que possuem grandes fundações em seu nome, empregam o seu vultoso capital no fomento de agendas de esquerda (eufemisticamente chamadas de “progressistas”), frequentemente radicais. O exemplo mais patente talvez seja o de George Soros, um dos principais financiadores de movimentos extremistas como Occupy Wall Street, Black Lives Matter e Antifa.
O EXEMPLO DE SOROS – Não é preciso fazer grandes especulações sobre a razão disso para constatar o fato de que as coisas são realmente assim. Essa hipótese é reforçada, por exemplo, pela confissão do próprio George Soros, que, em artigo significativamente intitulado “A Ameaça Capitalista”, publicado na The Atlantic em fevereiro de 1997, escreve com todas as letras, e sem um pingo de vergonha:
“Embora eu tenha feito fortuna no mercado financeiro, hoje temo que o fortalecimento irrestrito do capitalismo laissez-faire e a difusão dos valores do mercado para todas as esferas da vida estejam ameaçando a nossa sociedade aberta e democrática. O principal inimigo da sociedade aberta, creio, já não é a ameaça comunista, mas a capitalista”.
Logo, ao ser perguntado por um daqueles amigos sobre qual seria a minha hipótese para explicar o dilema com o qual abri este artigo, respondi não ter uma plenamente elaborada, limitando-me a constatar a existência objetiva dos fatos aparentemente paradoxais.
CAPITALISTAS ARISTOCRATAS – Uma explicação possível, todavia, é a de que, contrariando o axioma materialista, os grandes empresários capitalistas, detentores do poder econômico, já não tenham uma mentalidade burguesa-capitalista, mas, ao contrário, aristocrática e dinástica, desejando proteger-se das flutuações do mercado por meio da associação com o poder político-militar.
Nesse sentido, conquanto tenham enriquecido na economia de mercado, já não a considerariam propícia aos seus interesses, vendo na ordem capitalista antes um perigo que uma oportunidade. Cansado de aventuras e riscos, o antigo empreendedor torna-se, então, um novo aristocrata.
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NÃO PERCA AMANHÃ:
O QUE OLAVO DE CARVALHO PENSA DOS BILIONÁRIOS CAPITALISTAS QUE HOJE FINANCIAM A ESQUERDA?
PT fecha apoio a Rodrigo Pacheco, candidato de Alcolumbre e Bolsonaro no Senado

Com o respaldo, Pacheco contabiliza a adesão de 27 senadores
Anne Warth
Estadão
O PT decidiu apoiar a candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) à Presidência do Senado. A decisão da bancada petista chama a atenção, uma vez que Pacheco, líder do DEM, é o concorrente avalizado pelo presidente Jair Bolsonaro para o Senado.
Na Câmara, o PT aderiu à campanha do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) ao comando da Casa justamente sob o argumento de que não poderia estar ao mesmo lado do “candidato de Bolsonaro”, que ali é Arthur Lira (Progressistas-AL).
RESPALDO – O anúncio do PT dá musculatura à candidatura de Pacheco, nome lançado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Com o respaldo dos petistas, Pacheco contabiliza a adesão de 27 senadores, incluindo nesse bloco parlamentares do PSD, do Republicanos e do PROS. Se o líder do DEM vencer a disputa, o PT poderá ganhar o comando de duas comissões, além de cargo na Mesa Diretora do Senado.
Na semana passada, o líder do MDB, Eduardo Braga (AM) tinha a expectativa de obter apoio do PT à sua candidatura. Por isso, ele havia pedido ao partido que adiasse o anúncio até a definição de quem será o postulante do MDB. Além de Braga, os senadores Fernando Bezerra Coelho (PE), Eduardo Gomes (TO) e Simone Tebet (MS) tentam a indicação do partido.
A nota assinada pelo líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), e pelo vice-líder, Jaques Wagner (BA), não apenas sepulta a possibilidade de união com Braga como enfraquece a candidatura dele. No comunicado, a bancada afirma que a decisão considerou “a grave situação econômica, social e política do País” e a “necessidade de reforçar a institucionalidade e a legalidade democráticas no âmbito do Estado brasileiro”.
ARGUMENTO – O PT observa ainda, que o apoio tem o objetivo de “enfrentar a agenda de retrocessos pautada pelo governo de extrema-direita no campo dos direitos humanos e dos direitos constitucionais” e “contribuir com a superação da gravíssima crise que o Brasil atravessa”.
Mesmo assim, os senadores do partido argumentam que continuarão a defender suas bandeiras no Senado, independentemente do apoio a Pacheco. “O PT tem bastante claro que a aliança com partidos dos quais divergimos politicamente, ideologicamente e ao longo do processo histórico se dá exclusivamente em torno da eleição da Mesa Diretora do Senado Federal, não se estendendo a qualquer outro tipo de entendimento, muito menos às eleições presidenciais”, diz a nota.
ATAQUES – Embora Pacheco tenha o aval do Planalto, o PT faz questão de destacar que os ataques ao governo Bolsonaro continuarão. “(…) Serão utilizados todos os instrumentos do Poder Legislativo, como a instalação de CPIs, a convocação de autoridades, a edição de decretos legislativos, o exame e resposta institucional a todos os crimes praticados por autoridades do executivo, inclusive o presidente da República”, afirma trecho da nota.
O PT também diz que o quadro geral de enfraquecimento das democracias e dos sistemas de representação “está sendo agravado desde o golpe de 2016, pela guerra judicial e midiática contra o ex-presidente Lula e pelo governo Bolsonaro, que tem índole claramente autoritária e antidemocrática”. No texto, os petistas dizem que o Senado “deve ser um espaço de contenção da escalada autoritária e de promoção da democracia e das instituições”.
Como nascem as manhãs, na ponta do dedo de uma criança, na poesia de Flora Figueiredo
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Flora Figueiredo faz poemas enternecedores
Paulo Peres
Poemas & Canções
A tradutora, cronista e poeta paulista Flora Figueiredo mergulha no silêncio da noite para nos mostrar como nascem as manhãs, no seu poético entender.
COMO NASCEM AS MANHÃS
Flora Figueiredo
O fundo dos olhos da noite
guarda silêncios.
Esconde na retina
a menina que corre descalça em campo aberto.
Pálpebras cerradas, a noite emudece.
A menina com medo
faz um furo no escuro com a ponta do dedo.
Cai um pingo de luz.
Amanhece.
Rosa Weber enfrenta Aras e manda seguir a investigação do currículo de Kassio Nunes

Kassio Nunes tem de explicar por que fraudou o currículo
Carlos Newton
Ao analisar notícia-crime apresentada ao Supremo Tribunal Federal pelo jornalista e radialista Afanasio Jazadji, representado pelo advogado paulista Luiz Nogueira, informando sobre crimes de falsidade ideológica e de plágio, cometidos pelo novo ministro da Suprema Corte, Kassio Nunes Marques, inserindo informações falsas no currículo que montou para se habilitar à vaga de ministro, a ministra relatora Rosa Weber, em 11 páginas, refutou contundentemente o parecer do procurador-geral da República, Augusto Aras, para quem só o STF teria competência para investigar seus membros.
Segundo Augusto Aras, “como a autoridade noticiada detém foro por prerrogativa de função no Supremo Tribunal Federal (art. 102, I “b”, da Constituição Federal), por ser Ministro da Suprema Corte, eventual procedimento investigatório voltado para a apuração de crime atribuído à sua pessoa há de ser instaurado nesse STF”.
JOGADA DE ARAS – Para alguns juristas, assim agindo, o PGR se absteve da obrigação de abrir investigação contra o novo ministro (situação nada confortável), adotando iniciativa descabida para que assim a ministra relatora pudesse, amparada em forte jurisprudência, sem entrar no mérito dos possíveis ilícitos, decretar o arquivamento da questão.
Mas não é isso que se lê na decisão monocrática de Rosa Weber, vice- presidente da Suprema Corte. “Há, portanto, uma nítida
separação de funções de acusar e julgar, voltada precipuamente à preservação da imparcialidade e do distanciamento do juiz em relação a atos pretéritos ao processo judicial. Nesse sentido, compete, única e exclusivamente, em casos de infrações penais passíveis de persecução mediante ação penal pública, ao Ministério Público oferecer denúncia ou requerer o arquivamento de inquéritos e peças de informação”.
ARAS SE OMITIU – Ora, a decisão de Rosa Weber mostra estar claro que, se a notícia-crime trazia fortes indícios de práticas criminosas existentes nas informações acadêmicas do novo ministro quanto à conclusão de cursos de pós-graduações, mestrados, pós-doutorados antes do doutorado e até plágio, títulos esses obtidos em universidades de Portugal, Espanha e Itália, no período em que ao mesmo tempo exercia no Brasil o cargo de desembargador federal (juiz não concursado, nomeado por Dilma Rousseff), mais do que pacífico que ao procurador Aras competiria abrir investigação e não passar a responsabilidade para o STF.
E por que abdicou dessa obrigação o chefe da Procuradoria, já que todos são iguais perante a lei?
Explica, didaticamente, a ilustre ministra do STF que “não pode o Poder Judiciário compelir o “Parquet” a quaisquer das condutas nem avaliar a suficiência das informações trazidas em notícia-crime para instauração de inquérito ou procedimento de investigação criminal. Na linha de precedentes desta Casa, somente ao Ministério Público é dada a formação da “opinio delicti”, sem qualquer interferência de agentes estranhos à composição desse mesmo órgão…”
DISSE ROSA WEBER – Mais adiante, a relatora quase que advertindo o PGR, destacou que “inequivocamente, a separação rígida entre as funções de julgar e de acusar constitui verdadeira cláusula inerente ao núcleo do sistema acusatório, razão pela qual é inadmissível que o Poder Judiciário formule juízo meritório quanto ao pedido de arquivamento de inquéritos e peças de informação”.
Não me alongando, apesar da importância da matéria, parece mais do que evidente que a ministra relatora não deixou alternativa ao procurador Aras – ele tem de instaurar procedimento investigatório em face do ministro Kassio Nunes Marques, pois se não estivesse ele convencido das falsidades ideológica, material e de plágio cometidos pelo magistrado, por que sôfrega e erradamente transferiu responsabilidades a quem cabe julgar e não produzir provas e denunciar?
FALTOU À AULA – Com todo o respeito, o procurador Augusto Aras certamente faltou à aula em que os deveres e obrigações do Ministério Público foram tratados.
É claro que voltaremos ao tema, apesar do silêncio ensurdecedor da chamada grande Imprensa, que decididamente este deixando passar em brancas nuvens essa importante questão que afeta os três Poderes na indicação de um ministro despreparado e que teve a audácia de fraudar o próprio curriculum vitae, dentro dessa esculhambação em que se tornou o Brasil.
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